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"Você pode atuar pra todos, menos pra você mesmo"
Minha mãe
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Domingo, Agosto 14, 2005
Mudança
O Teatro da Mente está de mudança.
O novo endereço é: maucir.blogspot.com
Venham conhecer o novo espaço, AGORA.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
8/14/2005 04:12:52 PM
Sábado, Agosto 06, 2005
A arte da Comunicação: Admirável lingua que se entende.
Então Ela fez uma pausa. Respirou fundo. Lá vinha um segredo. Ele tinha certeza. Não podia ser nada de bom. Talvez fosse só uma besteira. Se eu te disser algo, você vai falar pra alguém? A essa altura, já não se pode negar a ouvir. A pessoa quer falar, e você terá que ouvir, não importa o que haja, você terá que ouvir. Prepare-se, ela pode estar grávida, o padastro pode ter violentado-a, e o pior, ela pode querer que você tome alguma providencia com um dos possíveis pais, ou que aconselhe o mal-humorado padastro. Péssimos sinais.
Ufa! Era só isso? Não, eu nunca usei nenhuma droga. Porque eu não sinto tesão mesmo, uai. Na verdade, é porque nunca precisei disso pra ser feliz. Esse almoço, por exemplo, por mais improvisado que seja, por mais vagabundo que seja, já me faz feliz, porque estamos aqui, depois de tanto tempo, conversando, relembrando de coisas, vivendo. Adoro a vida. Sou narcisista e egocêntrico demais pra pensar que preciso de uma coisa que não tem nem em mim, nem na minha vida, pra me deixar feliz.
Não! Calma. Não tenho nada contra quem gosta. Eu tenho um conhecido que até usa. Ele é feliz usando. Eu até converso com ele sobre as "lombras" dele? É, é mesmo! Ele fica me contando como são as viagens, os sonhos, as imagens. Nem esquenta. Se eu disser pra você que eu curto te ver usando, minto. Mas se você quer usar, não vou ser empecilho pra você. Seja feliz, ora bolas.
Perai, mas, pense direito. Será que é tão errada assim essa atitude da sua mãe? Será que é tão abusivo assim? Tá tá ta. Mas.... Será que se fosse seu filho, será que você não ia nem impor uma proibiçãozinha? Nem um xingamentozinho? Tá bom, tá bom.
É mesmo, as mães as vezes passam dos limites. É mesmo um abuso. Elas deviam se preocupar menos. Deixar os filhos mais soltos. Deixá-los aprender sozinhos. É, mais cedo ou mais tarde eles vêem qual o melhor caminho mesmo. É verdade, certamente não precisa mesmo de interferência de ninguém nesse tipo de situação. É, tudo coisa da idade. Esse lance de droga nunca passa da adolescência mesmo. Totalmente, coisa de idade. Aliás, eu acho que mãe nenhuma devia se meter nessas coisas, afinal, os adolescentes já têm equilíbrio suficiente pra usar a quantidade certa(?) de droga, e nunca ser viciado. Não, eu não disse isso. Claro que eu não acho que você tá viciada. Não, imagina. É óbvio que uma mãe nunca deveria se preocupar com o quanto você bebe, imagina se você iria beber o suficiente pra ficar de porre e vomitar. Nunca! Eu sei que não.
As vezes, a única forma de se comunicar com as pessoas, é concordar com elas.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
8/6/2005 01:04:02 AM
Terça-feira, Julho 26, 2005
A triste morte do senhor Agá
Era uma vez, um secundarista. Na ponta da língua, discursos inflamados de criticas e avidez por mudanças; nas roupas, um neo-hippie, quebrando o máximo de padrões que pudesse; os cabelos, ao vento, sem documento e sem coisa nenhuma mais. Era a figura de alguém que não se via mais nessa geração.
O senhor Agá queria mudar o mundo, e por isso ele escolheu a melhor forma de fazer isso: Sendo professor.
O senhor Agá sonhava muito. Na verdade, ele aprendera isso com Renato Russo e com Cazuza. Pensando um pouco, lembrava que os dois já estavam mortos, e que as drogas tinham dado à eles as asas que precisavam pra voar. O senhor Agá não gostava muito desses padrões de músicos-revolucionários-drogados, mas se baseava nos ensinamentos dos dois pra construir um pensamento de mudança, procurando alguma outra coisa que lhe desse as famosas asas.
O senhor Agá tinha raiva da sociedade. O senhor Agá não gostava de pessoas que não pensassem, logo, o senhor Agá não gostava de muita gente. Mas o senhor Agá sabia que o problema da sociedade eram as pessoas, logo, pra se resolver o problema em uma, era preciso primeiro resolver o problema de outro, por isso precisava lidar com as tais pessoinhas.
Num dia maravilhoso, Ele fez algo atípico, foi assistir TV. Vendo TV, viu duas coisas que mudaram o destino da sua vida totalmente.
Numa das coisas, viu uma propaganda. "Desligue a tevê e vá ler um livro". O senhor Agá nem concordaria que eu explicasse o que isso tem a dizer, por isso, bom apetite.
Na outra, havia uma apresentadora Jota falando sobre sexualidade. Ao conversar com uma senhora espectadora Bê, e ao ouvir o problema da espectadora Bê, a mulherzinha desconstruiu um antigo e miserável valor da sociedade. Tratava-se de uma mulher, que gostava de mulheres, e que traia sua conjugue com uma outra mulher. A senhora Jota não denegriu o valor da figura de Bê porque ela gostava de mulheres, mas pelo fato da mulher imitar tudo que as mulheres condenaram nos homens durante séculos, e aplicar exatamente a mesma prática, a da infidelidade cínica, lavada, e descarada.
O senhor Agá lembrou que tinha tido um ou dois professores na sua vida escolar que tentavam ensinar aos alunos algo que não fosse suas respectivas matérias, mas que na maioria das vezes a platéia - a mesma com quem o Senhor Agá não gostava de lidar -, pouco prestavam atenção no que se ensinava.
Refletindo sobre a situação, o senhor Agá lembrou que não fora a escola que lhe ensinara a pensar. Que foram seus ídolos. Que foram os mesmos Renato Russo e Cazuza, que outrora tinham impulsionado pensamentos da famosa geração coca-cola, a mesma que ajudou a compor o pensamento dos que foram às ruas reivindicar a saída de Collor, por exemplo. A chamada geração coca-cola, de ideologia construída pelos mestres, tem hoje trinta anos, ou mais, e talvez tenha sido um deles que tenha idealizado a propaganda a qual o senhor Agá viu, e/ou talvez, a apresentadora Jota tenha sido fã dos mestres da ideologia nacional. Certamente, pela idade mencionada pela senhora espectadora Bê, Ela nasceu num período onde não houveram ícones que oferecessem o pensamento por um propósito maior, talvez, apenas professores bem intencionados, e que infelizmente não foram ouvidos pela senhora excelentíssima espectadora Bê.
O senhor Agá, graças a Deus, mudou de estratégia, e, graças ao mesmo Deus, ainda sonha em fazer algo pela sociedade, mas, desta vez, usando uma estratégia onde ele não precise usar quilos de drogas, e nem andar nu pelas ruas em forma de protesto: Decidiu fazer isso de forma inteligente, em doses homeopáticas, e usando as armas que a mesma sociedade dispõe pra disseminar todos os males desta era.
Tomara que o senhor Agá consiga.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
7/26/2005 12:38:55 PM
Terça-feira, Julho 19, 2005
(...) I
Despertou sem sono. Levantou-se, espreguiçou-se. Querida? Mãe? Pai? Ninguém em casa. Nenhuma toalha secando no varal, nenhum café a sua espera. Não havia cachorro no quintal, nem sol, nem luar. Não lembrou do telefone, não viu o interfone. Sentou-se. Passam-se minutos. A respiração não altera, o coração não dispara, a mente não pensa. À sua frente, parede branca. Repleta. Vazia. Solene. Quieta. Nega a palidez, reluz algo que não se vê. À sua volta, toda a sala branca. Chão negro. Cadeira de madeira que ainda respira.
Olhe pra trás. Sim, a luz. Um espelho. Sem moldura. Solto. Leve. Aproxime-se. Venha.
Um grito.
- Bom dia, querido, você está suando, levante logo, você já está atrasado.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
7/19/2005 11:44:31 PM
Terça-feira, Julho 12, 2005
Encarar o astro rei
Estava de costas, olhava o céu. Talvez fosse dia, talvez noite. Se era dia, não se intimidava com os raios ardentes do sol flamejante, se era noite, não sentia frio, ou medo da escuridão.
Havia muitas pessoas preocupadas e arrumadas. Umas bonitas, outras feias. Cada um com sua expressão individual, porém, invariavelmente, silenciosos. As roupas, os cabelos, e os portes seguiam todos um padrão que ninguém ditou oficialmente, mas que é padrão de excelência em apresentação.
Pensou no quanto Chaplin teria se divertido naquela situação. Não seriam homenzinhos apertando parafusos em série, seriam pessoas em série.
Chegou a hora de falarem, de se apresentarem.
Foi a primeira vez que alguns deles falaram naquela situação. Todos seguiram o mesmo exemplo, a mesma forma, o mesmo sentimento. Nenhuma variação, nenhuma inovação.
Gostava de admirar o sol de frente, e de estar na noite.
Coragem.
Gostava de pensar que, numa multidão de iguais, seria apenas ele a encarar o astro rei.
E assim foi.
Um processo seletivo para um emprego.
Muitos universitários, muitas caras, muitas preocupações, entretanto, todos iguais.
Na saída, Ele ouviu o estudante de administração, mais velho que si, mais experiente que si, dizer que estava cansado, e que aquele era o seu septuagésimo processo seletivo, e que estava cheio desses massacres, blá, blá, blá. Ele foi cruel, ou ao menos poderia ter parecido para um terceiro que ouvisse o curto diálogo. Ele disse ao estudante de administração, cheio de experiência e de pompas, algo que todo e qualquer um que quisesse chegar a qualquer lugar deveria saber. Seja para as suas administrações, seja para esse emprego, seja pra sua mulher, tenha apenas uma preocupação em mente: Seja diferente; tenha um potencial a mais; seja algo a mais; mostre algo a mais.
Talvez o estudante veterano não tenha entendido, e até tenha se aborrecido com o que o mero calouro lhe disse, mas Ele saiu daquele dia de seleção feliz e sorridente. Fosse ou não aprovado, tivesse ou não um emprego ao fim do processo, percebeu o quanto era importante ter esse diferencial em si.
O emprego? Ah, o emprego. Sim, ele foi contratado.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
7/12/2005 09:35:18 PM
Sexta-feira, Julho 08, 2005
Algo pra, só talvez, entender
reprise
Desde que me tornei um homem de bem, casei-me com a verdade.
Se disser que aboli a mentira, minto. Porém, minto apenas quando a prosopopéia da vida me empurra pra um canto onde a verdade fará inúmeras pessoas, que não eu, chorarem uma verdade que é apenas minha.
Se a verdade fizer apenas as minhas lágrimas, não minto.
Trago a verdade como prêmio, atrelada ao meu pescoço, porque gosto de sentir os olhos ávidos do ser humano a minha frente, tendo a certeza que da minha boca sairão verdades, e verdades que serão verdades.
Me torno mais Homem quando digo a verdade mais doída e mais verdadeira, afinal, nunca serão mentiras.
Gosto das verdades, e das mentiras.
Mas não das mentiras mentirosas criadas pra alterar do curso verdadeiro da vida, apenas das mentiras que me mantém orgulhoso de mim, a salvo de qualquer alcunha que me distancie do que escolhi pra ser, salvo da minha consciência despótica. Aprecio apenas as mentiras que me mantenham longe da não-felicidade, e de mais mentiras.
A verdade existe pra ser a verdade, e ser escarrada a todo e qualquer momento, afinal, a verdade é verdade, e sobre ela não se sobrepõe qualquer sombra.
Gosto de pensar que sou um paladino, mas não um cruzado sob uma verdade mentirosa, um paladino leal sobre o mundo das trevas da discórdia que a mentira propicia.
Meu pensamento as vezes é tão, tão, tão... Inconstante. Não sei se é o signo com a lua, a criação, ou o modelo de escravidão, que me fizeram uma criaturinha tão estranha, complexa e tênue. Acho que a palavra pra mim é mesmo tênue.
O fragmento acima é um escarro da minha consciência, e imagino que nem todos possam entender. Fico imaginando se alguém conseguirá sair vivo do labirinto deste pensamento demente.
"Esteja ao seu lado ou não, haverá sempre na verdade uma solução"
posted by MAUCIR NASCIMENTO
7/8/2005 09:20:49 PM
Domingo, Julho 03, 2005
Sessão da tarde
Era uma vez... um dia.
Um dia comum, um dia qualquer.
"Nada de importante" quando te perguntam "como foi seu dia?".
É bem verdade que naquele dia você pudesse estar mal humorado e/ou ocupado demais pra prestar atenção no que o senhor do lado disse, ou na expressão da criança, ou de onde veio o ladrão, ou ainda quem era a mulher que estava te olhando. Aliás, perdão, isso você sempre percebe, não importa o tamanho do mal humor, ou do dia ruim.
Mas, o fato é que, durante um dia desses onde não se lembra de nenhuma história interessante pra se contar, acontecem a sua volta pelo menos um zilhão de pequenos fatos que se tornariam uma bela poesia, uma critica fantástica, ou uma linda crônica.
Na verdade mesmo, é nos momentos de extremo sofrimento, ou de paixão, que o bicho homem tem a maior facilidade pra captar esses pequenos acontecimentos, muito normalmente voltados pra quem se está apaixonado, ou pelo motivo pelo qual se sofre. Entretanto, até mesmo nesses períodos, se o foco do entusiasmo foi um belo e musculoso rapaz, é bem possível, que a mocinha, ao chegar em casa, depois do flerte, ou do namoro, e verificar que sua vizinha deixou em seu quarto uma linda cartinha de desculpas, e sentimentos nobres, de perdão para com uma confusão que elas tiveram no dia anterior, é bem possível que a mocinha sequer tenha seu coração tocado.
Eu poderia palestrar três dias inteiros, sem dormir, e sem comer, falando sobre o egoísmo intrínseco do homem, até mesmo nos seus momentos mais apaixonados e inspirados. Mas, na verdade mesmo, hoje quero falar sobre o tal dia qualquer.
Não sei por qual cargas d´agua eu tenho a estranha mania de captar pequenas coisas que acontecem durante o meu dia, e pensar nelas de forma filosófica. Num passado recente meus ensaios sobre meus pensamentos exprimiam-se por meio de crônicas.
A diferença entre o passado e hoje é que, na época, eu ainda estudante do ensino médio, sempre tinha um caderno à mão. Hoje em dia, os pensamentos me vêm enquanto dirijo, ou enquanto ando por aí. Fatalmente, a maioria se perde.
Um dia desses, enquanto eu andava por ai, entrei numa casa.
Na sala, quatro mulheres e um homem, em volta da televisão. E qual não foi a minha extraordinária e excelentíssima surpresa quando, ao olhar pra tela, vi que não se tratava de nenhum programa de fofocas naturais daquela hora da tarde, ou de novela reprisada na tarde, tratava-se de tv-senado. A parte genial é que a tv não estava apenas sendo fundo musical para um encontro de comadres e comadre, estavam todos realmente prestando atenção.
Fiquei feliz. Muito feliz. Afinal, veja o quão importante esses escândalos e absurdos do meio corrupto podem contribuir para a construção do civismo de uma nação.
Muitas coisas podem resultar daí, se a mídia continuar usando de suas armas pra escandalizar a nós, civis.
Os benefícios de tudo isso, pra mim, são extraordinários, e vão desde a criança pequenininha que vê os pais assistindo tv-senado e sendo cidadãos ao discutir certos assuntos, e que constrói um conceito diferente dentro dele naquele momento. Não pára por ai, certamente, o resultado disso é - ao menos é a minha esperança - uma projeção um pouco maior de consciência na hora de votar.
Eu podia ter visto tudo isso, e seguido meu caminho tranqüilamente, sem nenhuma reflexão.
Afinal, mulheres vendo televisão não quer dizer nada demais.
Bom, eu realmente prefiro ter meus olhos e minhas reflexões abertas.
Era uma vez... um dia.
Um dia comum, um dia qualquer.
"Nada de importante" quando te perguntam "como foi seu dia?".
posted by MAUCIR NASCIMENTO
7/3/2005 12:11:00 PM
Sexta-feira, Junho 24, 2005
As formas de fazer alguma coisa
Transito é sempre um assunto complicado.
Matematicamente, a chance de um transito fluir bem, numa avenida, numa grande cidade, deve ser são complicado quanto acertar numa Mega-Sena. Isso porque depende do motor do carro, das condições da pista, da mulher do motorista, da musica que o motorista está ouvindo, da amante do motorista, do possível passageiro, pelos milhares de outros fatores da vida, e tudo isso multiplicado pelos carros dos outros motoristas que estão em volta, pelas mulheres ou esposos dele, pelas(os) amantes deles(as). Eticetra, eticetra, eticetra...
As formas de fazer as coisas é que muda todo o panorama.
Os taxistas e os motoristas de ônibus são as criaturas mais filhos-da-puta que o transito já viu. Comparados apenas aos juizes de futebol nos estádios cheios. Muitas e muitas vezes, a cena se repete. O motorista de ônibus/táxi ocupam a pista como desejam, fazendo qualquer coisa, sem qualquer pudor, pra chegar mais rápido nos seus destinos. O resultado sempre é que eles, ou os outros motoristas, sempre acabam xingando suas respectivas senhoras mães, e tudo mais que puderem.
Algumas vezes, eu, mesmo sem ser motorista de ônibus, ou de táxi, já fiz minhas barberagens. Na maioria das vezes, minha mãe foi sumamente insultada, e minha opção sexual também, mas na verdade mesmo, a única vez que eu realmente tive vergonha, foi quando um sujeito afetado pela minha falta de perícia na condução, levantou seu dedo polegar (me refiro ao polegar, e não ao médio), e balbuciou apenas uma palavra "Valeu". Sem duvida, um gesto de ironia, mas ainda sim, um gesto que pode mudar um mundo. Sem agressividade, sem ira. Apenas um "Valeu" como sinônimo de um "Obrigado".
Numa outra situação, todos temos vizinhos.
Meu vizinho é uma benção. Um rapaz com quem adoro conversar. Um jovem em potencial. Mas todas essas qualidades e virtudes tem um sinônimo: barulho.
Quando eu era mais novinho, eu gostava de ouvir música alta. Principalmente no banheiro, enquanto tomava banho. É, definitivamente, uma delícia. Um belo dia, minha vizinha, me interfonou - possivelmente aquele dia seu namorado/esposo/amante não tenha lhe correspondido os sussurros ao pé do ouvido - e então, ela me agrediu da forma mais grosseira possível. Não tiro a razão dela. A moça tem filho, trabalha, e quer a tranqüilidade dela. Ouvi quieto e disse amém.
Meu vizinho gosta de festa, e ultimamente me chamou pra ver seu mais novo presente: Um som daqueles de trio elétrico. Minha desconfiança se cumpriu na noite seguinte. Festa, música eletrônica, pisadas no chão. Eu ouvi, desliguei o meu som que tocava uma MPB de cantores já mortos, e me pus a ver se gostava daquele troço. Quem sabe eu não gostava.
A verdade é que a simpatia com uma pessoa nunca deve se quebrar com agressões. Pelo menos na minha forma de pensar.
Fiquei quieto, não disse nada.
Outro dia, ele ligou o som, e tocava um reggaezinho gostoso do jamaicano já morto. Eu novamente desliguei o meu micro-micro-micro som, e curti a música. Dez minutos depois, ele trocou o ritmo, e eu liguei pra ele: "Amigão, xo te dizer uma coisa. Sou muito mais o reggaezinho do que esse barulho eletrônico ai. Aquilo é que é música". E pronto, daquele dia pra cá, não tive mais problemas. Além de poder curtir um reggaezinho muito gostoso de vez em quando.
Conclusão:
As pessoas valem ouro.
Correção: A simpatia das pessoas vale ouro.
Errata:
Eu não disse pra deixar as pessoas pisarem em vocês.
Apenas pra não pisarem nelas. Pra dar o recado, sem ser agressivo. Só.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
6/24/2005 01:37:25 PM
Domingo, Junho 19, 2005
Os preços e as pessoas
Estive pensando. Será que todos temos um preço?
Na sexta-feira, num shopping center, uma pessoa me abordou.
Me conhecia do ambiente onde eu trabalho.
Conversa vai, conversa vem.
O serviço da pessoa era caçar talentos para as passarelas e pro mundo das fotografias.
Ofereceu-me novecentos reais pra eu fazer a ¿campanha publicitária¿ de uma casa de shows para mulheres.
Conversei com um amigo. Nada mais natural, disse ele. Complicado, pensei eu.
Conversei com outro. Dinheiro é dinheiro, Maucir. Dinheiro é dinheiro, mas, e esse dinheiro? Pensei eu.
Quando disse não ao sujeito, tentei dizer que nunca poderia me orgulhar ao lucrar com um trabalho onde a matéria prima seja meu próprio corpo, ainda mais sem camisa, ou algo do gênero.
Não duvido que todos tenhamos um preço.
Não duvido do quão volúvel o ser humano é.
Mas gosto da idéia de pensar que sou incorruptível.
[Não gosto de escrever sobre minha vida pessoal, mas como estou sem inspiração esses dias, me forcei a escrever sobre algo que aconteceu comigo sem nem mesmo me preocupar em transformar isso numa metáfora ou numa crônica].
posted by MAUCIR NASCIMENTO
6/19/2005 07:31:58 PM
Quinta-feira, Junho 16, 2005
O famoso dia dos shoppings
As mulheres e seus presentes
Centenas de milhares de mols de namoradas descabeladas em busca do presente ideal.
Comércio em êxtase.
Vendedores sorridentes e felizes.
É o famoso dia dos namorados.
Ou natal, dia das crianças, dia das mães, dia dos pais, blá blá blá...
Pra mim, estudante de Marketing, esse é um dos fenômenos mais incríveis que a mídia incutiu no ser humano. O desejo, a busca, o frenético e desenfreado consumismo.
Viva à mídia!
- Vai dar o que, Antonia?
- Uma calça. E você, Frederica?
- Uma blusa linda....
- E você, Ambrósia?
- Um coraçãozinho lindo........ E você, Armênia?
- Um livro.
(A conversa acaba ai, com as mulheres se olhando e dizendo coisas pelos olhares.)
Algumas coisas se dizem com muitas palavras.
Algumas coisas são indizíveis.
Outras simplesmente se resumem dessa forma.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
6/16/2005 12:03:17 PM
Sábado, Junho 11, 2005
O fantástico mundo dos funcionários
Em Verso...
Greve. Reclamação. Salário mínimo. Mínimo.
Momento histórico.
Por um momento, todos somos petistas.
Consciência fariséia.
Todos sabemos o quanto é freqüente o empregador querer estuprar o empregado.
Cadeia alimentar.
É histórico, nada cristão, e, de fato, fato. O dinheiro faz as pessoas deixarem de serem pessoas.
Comprovado.
Todos achamos que o salário mínimo é mínimo demais pra ser humano.
Convenção.
Se vivêssemos do mínimo, do salário mínimo, da consciência mínima, da vontade mínima, da porra toda mínima, você não teria nem dinheiro, nem intelecto, nem interesse de ler blogs, textos, e idéias dos outros pela Internet.
O acadêmico que se formou com o mínimo de esforço será medíocre.
O político que fizer o mínimo de esforço pra desviar será apanhado.
Quem faz o mínimo pelos outros será tratado por mínimo.
Quem faz apenas o mínimo de esforço pra fazer algo, nunca será reconhecido pelo que fez.
Quem se contenta com a remuneração mínima será sempre mínimo.
O fantástico mundo dos funcionários.
O fantástico mundo dos mínimos.
Eis a saga da mais arcaica cadeia alimentar.
Em Prosa...
Como pensei nisso:
Fazendo minha matricula na universidade, lá estavam quatro mulheres.
Quatro mulheres carrancudas.
Uma no bate-papo, outra fazia nada, outra olhava, e outra me atendia.
Quase ao final do processo, eu lanço uma de minhas perguntas peculiares.
Talvez o ambiente de trabalho de vocês ficasse muito melhor se vocês sorrissem um pouco. Afinal, estão trabalhando. Ânimo, garotas. Talvez até o tempo passasse mais rápido. Tão vindo muitas pessoas aqui, é isso? Muito trabalho?
Talvez a sala vazia denunciasse a quantidade de trabalho que estavam tendo as quatro donzelas, ou talvez a noite tivesse sido ruim com seus maridos/amantes/namorados/concubinos, ou talvez elas estivessem pensando em suas remunerações/esmolas/suplícios/mínimos. Mas, na verdade, nada disso importa.
É por isso que funcionários será sempre funcionário, e o patrão sempre escravizará o funcionário.
É assim que o mundo sempre girará. Cruel.
Eis a cadeia alimentar.
Bem vindos ao fantástico mundo dos funcionários.
Aqui, todo mundo ganha seu ganha pão no fim do mês.
Aqui, todo mundo assina contra-cheque.
Aqui, ninguém tem futuro.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
6/11/2005 01:48:24 AM
Quarta-feira, Junho 08, 2005
Equilíbrio
Há oito anos, um tal Francisco teve uma idéia.
Comprar dois hequitares de terra no sul da Bahia, semi-desertificado pela ação do homem.
As fotos, vistas hoje, oito anos depois, mostram as primeiras quatro arvores a serem plantadas, na terra batida, morta.
Hoje, as escolinhas da região interiorana fazem excursões pra conhecer as terras do Seo Francisco, a universidade federal quer entrevistar o Seo Francisco, e até nós, breves aventureiros, e totalmente urbanizados, paramos pra nos sensibilizar com a mágica da natureza.
Hoje, isso acontece.
Ontem, era só um monte de terra infértil, improdutiva.
Seo Francisco, tem uma Ecosport. Vive de sua reserva, na sua reserva.
Um restaurante cem por cento natural.
Roda d´agua pra bombear água.
Peixes de estimação.
Pra afastar cobra, nada de químico. Chifre de boi queimado.
Mosquitos, apenas havia o necessário para o equilíbrio da natureza.
Hoje, Seo Francisco começa a ser visto como um exemplo.
Ainda hoje, no mesmo trecho Salvador-Sul-da-Bahia, mais terras batidas, mortas.
Depois de quatro dias num total retiro espiritual no sul da Bahia, longe de tudo e todos que pudessem me ligar a minha vida cotidiana - inclusive computadores e blogs -, conheci esse lugar mágico, místico, e fantástico.
O restaurante Natureza Viva fica na BR. Longe do longe, e perto de lugar nenhum. Aliás, perto apenas de uma coisa: O equilíbrio entre homem e natureza.
Quando conhecemos Seo Francisco, conhecendo sua obra, apenas uma pergunta nos veio à cabeça:
Perguntamos se ele era brasileiro.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
6/8/2005 12:17:25 PM
Quarta-feira, Junho 01, 2005
Momento sem inspiração.
Três observações que queria tornar literatura, mas que o momento sem inspiração não permitiu:
Primeiro - Tenho lido algumas coisas interessantes sobre o Eduardo Suplicy. Alguém diga pra ele se picar logo do PT, até quando ele vai manter a cabeça baixa pra esse partido podre e nojento no qual eu votei nas ultimas eleições federais?
Segundo - Certamente Saramago, em sua obra, Ensaio sobre a cegueira, estava se tratando do egoísmo humano. Normalmente eu já teria acabado de lê-lo, devida à minha cadencia de leitura normal, mas o livro me enche os pulmões com tanto catarro, que tenho tentado lê-lo mantendo a saúde. Ou seja, o retrato da minha raça é tão nojento que ta foda pra ler isso.
Terceiro - Hoje posso dizer que senti orgulho de ser um jovem desta geração. Em Floripa, os estudantes da UFSC provocaram a parada de ônibus meio que geral. Pra dizer a verdade, não vi direito a reportagem, mas só pelo fato dos estudantes estarem lutando pelos seus ideais, já me é um orgulho. Fora o fato que, quando os estudantes do ensino médio aqui de Salvador/BA pararam a cidade, pra reivindicar taxas um pouco menos injustas de transporte urbano, a imprensa nacional se esqueceu de mostrar o que tava acontecendo aqui.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
6/1/2005 01:43:01 PM
Sexta-feira, Maio 27, 2005
Reconhecimento
Olá, como se chama, Sou tal, Sou tal outro.
E ali, sem nunca termos nos visto antes, travamos uma conversa como se fossemos velhos companheiros de sabedorias. Aos olhos de terceiros, apenas mais uma conversa de bar.
Ao final, quando levantou-se noticiando a sua ida, disse-me que eu não sufocasse o escritor, o pensador, e o visionário que existia em mim.
Bestializado pelas qualificações, ainda que cheio de honra por tal, perguntei-lhe porque me proferia adjetivos tão fortes e decisivos se mal me conhecia.
Seu olhar, suas idéias, suas palavras. Não era a análise de um leigo, mas de um estudioso da sabedoria humana e dos próprios homens. Disse como se tivesse me conhecido desde o dia que escrevi o primeiro texto, como se tivesse visto cada um dos questionamentos que fiz durante toda a vida sobre a própria vida. Como se tivesse sentido minha dor cada uma das vezes que lutei contra o que achava injusto, incorreto, e falso.
Meus valores, meu caráter, meus ideais.
Talvez, neste momento, eu tenha começado a colher o que plantei quando fiz a dura escolha de abrir o terceiro olho de minha existência para esse mundo.
Pela primeira vez fui intitulando por tais conceitos que fazem-me sentir tão nobre.
Desta vez, não me senti classificado pela minha pouca e ilusória idade, mas pelas minhas idéias, meu caráter, e pelos meus valores.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/27/2005 06:14:46 PM
Domingo, Maio 22, 2005
Os poetas e as gerações
Durante a ditadura, quem ousasse apontar suas criticas em direção ao governo ia preso, se fosse pelo menos significante; morria, se fosse insignificante; ou era exilado, se fosse rico. Naquela época, Gilberto Gil, hoje ministro, era ovacionado por músicas como Metáfora, juntamente a Chico Buarque, com máximas como Cálice. Obras primas da MPB, sem dúvida, músicas com muito a dizer, e que clamavam pela liberdade de expressão do poeta que há em cada um de nós, ou pelo menos que havia em cada um deles.
Lula e FHC, ambos ex-militantes contra a ditadura, sonhadores daquela época, e ambos, em breve, ex-presidentes do Brasil, levaram muito a sério as poesias dos mestres da música.
A mania do presidente Luis Inácio Lula da Silva de poetizar seus sentimentos e pensamentos em dizeres populares, infelizmente, todos nós já conhecemos.
Aos pessimistas - em especial aos jornalistas -, pode-se dizer que, ao menos, a gestão do presidente do povo, foi/é uma era de extremo bom humor, visto que as declarações do presidente por várias vezes, nos fazem/fizeram rir.
Infelizmente, senhores preconceituosos, direitistas, e acadêmicos politicamente frustrados, o hábito do ex-torneiro mecânico e ex-semi-analfabeto não é praxe apenas dele.
Desta vez, nosso queridíssimo ex-presidente universitário, catedrático, cheio de letras e diplomacias, perdeu a chance de ficar calado.
"'O governo é como um peru bêbado em dia de pré-natal - diz FHC".
Bom. Não sei se nós é que somos muito ignorantes, ou se o salário de servidor público de alto gabarito é que faz essa galera ficar tão bem humorada.
Ao menos fica o aprendizado de não se misturar poesia e política.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/22/2005 10:38:23 PM
Sexta-feira, Maio 20, 2005
Largue de idealismo de merda. Quando é que você vai crescer? Você não vai mudar o mundo.
Foi o que ouvi de minha mãe, quando ela leu o texto de 15 de maio.
E certamente seria o que eu ouviria de toda uma sociedade enraizada, arcaica, e des-humanizada.
Por que será que as mães conhecem tão pouco os filhos?
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/20/2005 10:08:48 AM
Segunda-feira, Maio 16, 2005
Convenções das pessoas grandes
Quando estava fazendo seu currículo, alguém lhe sugeriu que não colocasse a sua foto ali, afinal, a constituição proibia tal prática, de forma a proteger os cidadãos de pré-conceitos pré-seletivos.
E foi pensando nisso que fez o tal currículo. Queria ascender por suas qualidades, por suas virtudes, pela sua inteligência. Queria ser elogiado e percebido por tudo aquilo que prezava nele próprio, e é por isso que excluiu a tal foto até com certo prazer, afinal, dentre suas ambições, certamente a carreira de modelo não estava entre elas.
Beleza é arte. É a rainha da vaidade, é o topo do ego. Mas em nada se assemelhava - nas suas escolhas - ao caminho do trabalho, da vitória, e do sucesso.
Pronto o tal currículo, seu sonho anexou-se a cada um daqueles papeis que carregavam o seu nome, e assim seguiu, feliz, carregando parte de sua ideologia em uma coisa tão simples, um currículo. Pensou em como contar isso aos amigos, orgulhoso por ter vencido na vida sem precisar usar de sua beleza pra conquistar nenhum degrau, sem vulgarizar seus sonhos.
Ao chegar na sede da empresa, que detinha um prédio inteiro pra assuntos administrativos e recursos humanos, entrou no elevador, suou um pouco, talvez visse pela primeira vez seu primeiro empregador, talvez... talvez... talvez...
Abriu-se a porta do elevador, terceiro andar, caminhou. Quando ia entrar no corredor onde se resolviam essas tais questões, a secretaria barrava-o. Pela sua cara, e pelo envelope que tinha em mãos, deduziu o propósito do visitante. Recebeu ela mesma o papel tão carregado de pensamentos e ideologias. Abriu-o, e antes que tivesse tempo de ler sequer o nome do candidato, devolveu-o sem pestanejar.
- Re-faça, e traga de novo.
- Mas.... Mas...
- Só aceitamos com foto...
- Mas.... Mas... A legislação....
- Esta empresa só aceita currículos com foto.
Pra ela, era só um currículo sem foto.
Pra ele, a comprovação de seu diferencial.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/16/2005 12:04:04 AM
Quarta-feira, Maio 11, 2005
Uma forma de fazer alguma coisa
Iniciando a leitura de "Ensaios sobre a cegueira", de Saramago, felicitei-me.
Fiquei feliz ao perceber que não sou o único que vê e que sofre com a falta de humanidade e sensibilidade do bicho-homem.
Sorri ao sentir que não sou o único a contorcer-me na cama, antes de dormir, pensando na falta de virtudes do ser-humano.
Enchi-me de orgulho, ao entender que posso ser bem sucedido na vida - a exemplo de Saramago -, mesmo que inumeras vezes, sentindo ódio da minha própria raça.
Se Saramago realmente vai tratar disso em sua obra, não faço a menor idéia.
A felicitação apenas faz parte de um processo onde este ser humano aqui tenta ver que não é o único a sofrer com bobagens como egoísmo, falta de sensibilidade, falta de humanidade.
Aliás, de agora em diante, vou fazer isso todas as vezes antes de ler um livro.
Antes de começar a devora-lo, lerei apenas o texto do fundo, os pequenos textos das abinhas do livro, e deixarei pra lê-lo a fundo no dia seguinte. Dessa forma, por maior que seja a merda que o autor for dizer, pelomenos posso criar minha ilusão em paz.
Crio minha história paralela, dou à obra do autor o tratamento mais honroso que houver em minha mente criativa. E assim, vivo feliz um dia inteiro, imaginando que meus ideais e meus sonhos já foram sonhados por alguéms que chegaram em algum lugar no mundo.
Algum lugar bem alto.
Algum lugar onde eu queira chegar, por meio de meus ideais.
Algum lugar onde meu orgulho tenha orgulho de chegar.
Algum lugar onde os ideais estejam a salvo dos homens, da sociedade, e até do tempo.
Amém.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/11/2005 10:12:37 PM
Domingo, Maio 08, 2005
Transição
Dezoito anos. Mês que vem terei dezenove.
Ainda não sou universitário.
Não passeio de carro pra me exibir pra mulher nenhuma.
Não bebo até cair.
Não me visto melhor pra parecer melhor pessoa.
Meus momentos máximos de felicidade não são em festas.
Não sonho em fazer sexo com todas as mulheres bonitas que vejo.
E gosto da idéia de ser fiel à minha namorada.
Não tenho nenhum problema com a monogamia, mesmo estando no momento mais viril, mais bonito, e mais tudo que a juventude oferece. Essas idéias que as pessoas deferem o tempo todo sobre "aproveitar a juventude" não me seduzem muito.
Dezoito anos.
Quando completei dezoito anos, ainda era estudante secundarista.
Fazia pré-vestibular, sonhava em tornar-me universitário.
Tinha uma certeza.
Não queria só entrar na faculdade pra fazer muito sexo e beber muito.
Mas a verdadeira certeza não era essa.
Eu sabia que não queria ser apenas mais um universitário.
E sabia também que esse não era meu único caminho.
Eu sabia que a partir do momento que a escola deixasse de sugar todas as minhas horas úteis de raciocínio e criatividade, que minha influencia sobre os negócios da família seria maciça.
A virilidade da burguesia fervia em minhas veias.
Podia sentir o progresso.
É quase véspera dos meus dezenove anos.
Ainda não sou universitário. Sou quase.
O patrimônio da família ameaça multiplicar-se por dois.
Os princípios éticos acompanham o processo.
Tornar-nos-emos mais ricos.
Somos mais prósperos.
A família gozará de mais conforto.
De todo conforto que precisar a geração que torna-se ansiã.
De todo conforto que necessitar as gerações que vierem.
Quase-amanhã, dezenove anos.
Um raciocínio é capaz de tirar da letargia toda uma economia. Uma vida.
Os raciocínios fazem o mundo girar.
A força que emana das pessoas pode mudar o mundo, sinto isso.
A riqueza é a conseqüência do progresso, não a causa.
Os objetivos são muito maiores, e de cunho muito mais nobre.
Por hora, quase apenas dezenove anos.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/8/2005 12:27:29 AM
Segunda-feira, Maio 02, 2005
Fechado pra balanço
Senhores e senhoras leitores(as). Decidi que queria saber o que vocês pensam deste espaço, e gostaria de saber suas opiniões.
Gostaria que a opinião que viessem a tecer tivesse a ver com vários textos, de forma a formar uma idéia sobre o espaço, e não sobre uma fase da minha literatura.
Aos leitores novos, gostaria de poder guia-los para que lessem textos mais antigos, recorrendo até aos arquivos, mas como sei que isso é quase uma utopia, faço apenas esse pedido.
Este é um momento importante, porque traçarei paralelos ligados ao que eu sou, sobre o que eu escrevo, e como vocês recebem essa carga. O que pensam, e tal.
Muito obrigado por acompanharem o Teatro da Mente. A participação de vocês é fundamental para a proliferação de idéias na minha mente.
Agradeço atenciosamente aos meus colaboradores: Todos vocês.
posted by MAUCIR NASCIMENTO
5/2/2005 12:34:21 PM

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